eu. que quando pego carona na imaginação, sento na janela para colocar a cabeça para fora e observar toda paisagem que crio com o vento a cortar face.
recebo todas novidades com a alegria de quem recebe cartas das pessoas distantes;
abro uma a uma com toda ansiedade de chegar ao fim.
corro para fora com um sorriso florindo o dia de quem nasceu cinza.
olho para os lados,
para cima e para baixo,
percebo a solidão da alegria.
aquilo que me acomete só tem efeito em mim mesmo,
ainda que dividida.
terça-feira, 31 de julho de 2007
sábado, 28 de julho de 2007
Sobre o casamento
O casamento é o princípio da multiplicidade dos problemas da soma de dois seres. Seria o casamento matemática? Certamente não seria homeopático, muito menos soluçao!
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Razoável
Ao preparar pratos que requerem especiarias escassas e refinadas, tenha certeza que seja para um paladar apurado, caso contrário - um pouco de sal substitui em bom tamanho o desperdício.
sábado, 21 de julho de 2007
A Grande Santidade

Nós, os novos, os inominados, as gentes difíceis de compreender, nós, filhos aparecidos antes do termo de um futuro ainda não aprovado, temos, para fins novos, necessidade de um meio que seja novo, precisamos de uma nova saúde, de uma saúde que seja mais forte, mais aguda, mais obstinada, mais intrépida, mais alegre do que qualquer outra que tenha existido. A alma que aspira a tomar conhecimento de todos os valores que tiveram curso até aqui e de tudo o que se pôde encontrar de desejável, de visitar todas as costas deste “mediterrâneo” ideal, a alma que deseja aprender a conhecer, pela aventura da experiência mais intimamente pessoal, os sentimentos que tiveram antigamente os artistas, santos, legisladores, sábios, devotos, adivinho, eremitas, essa alma tem necessidade de uma coisa acima de tudo: a grande saúde...aquela que não basta ter, a que se adquire, que é necessário adquirir, constantemente, por ser sacrificada sem cessar, por ser necessário sacrificá-la sem cessar!... Então, no termo das nossas longas viagens, nós, argonautas do ideal, mais corajosos talvez do que aquilo que é prudente, freqüentemente confusos, ainda mais freqüentemente naufragados, mas de melhor saúde do que se gostaria talvez de nos permitir, perigosamente, sempre de melhor saúde, parece-nos que, em recompensa, nos encontramos em face de uma terra inexplorada, de que nenhum olhar jamais apercebeu os limites, num além de todas as terras e de todos os recantos do ideal, em um mundo tão pródigo de beleza, de desconhecido, de problemas, de terror e de divino que a nossa curiosidade e a nossa avidez se deliciam fora de si próprias, e que, ah, nada, nada mais poderá saciar!
Como é que, diante de tais visões, como é que, com esta terrível fome de saber, com estes repentinos apetites da consciência, seríamos capazes de nos satisfazer, daqui em diante, com um homem atual? Deploramo-lo, mas trata-se de um fato inevitável: já não podemos conservar facilmente a nossa gravidade em face aos seus objetivos, das suas esperanças mais dignas, não podemos sequer consagrar-lhe um olhar. Vamos atrás de um ideal muito diferente, um ideal prodigiosos, tentador, pleno de perigos, e que não gostaríamos de recomendar a ninguém porque não reconhecemos facilmente a qualquer pessoa o direito de ter: é espírito que brinca ingenuamente – quero dizer sem intenção, porque a sua plenitude e a sua força transbordam – com tudo o que antes dele se chamou santo, bom, intangível e divino; espírito para o qual os mais elevados valores, de que um povo se serve logicamente como escalão, já só significam perigo, declínio, envilecimento, ou, pelo menos, repouso, cegueira, esquecimento momentâneo de si; é um bem-estar, uma benevolência que, sobre-humanamente humana, só muitíssimas vezes pode aparecer desumana, quanto mais não seja no momento em que se põe ao lado de tudo o que fez a gravidade terrestre até aqui, ao lado das solenidades do verbo e do tom, do olhar, da moral, do dever, como paródia incarnada e involuntária dessas pompas; ideal com o qual, portanto, começa talvez a grande seriedade, com o qual pela primeira vez se põe o ponto de interrogação no lugar onde é necessário pô-lo, ideal que coloca a alma numa curva do seu destino, ideal que põe o ponteiro a andar e a iniciar a tragédia...
Como é que, diante de tais visões, como é que, com esta terrível fome de saber, com estes repentinos apetites da consciência, seríamos capazes de nos satisfazer, daqui em diante, com um homem atual? Deploramo-lo, mas trata-se de um fato inevitável: já não podemos conservar facilmente a nossa gravidade em face aos seus objetivos, das suas esperanças mais dignas, não podemos sequer consagrar-lhe um olhar. Vamos atrás de um ideal muito diferente, um ideal prodigiosos, tentador, pleno de perigos, e que não gostaríamos de recomendar a ninguém porque não reconhecemos facilmente a qualquer pessoa o direito de ter: é espírito que brinca ingenuamente – quero dizer sem intenção, porque a sua plenitude e a sua força transbordam – com tudo o que antes dele se chamou santo, bom, intangível e divino; espírito para o qual os mais elevados valores, de que um povo se serve logicamente como escalão, já só significam perigo, declínio, envilecimento, ou, pelo menos, repouso, cegueira, esquecimento momentâneo de si; é um bem-estar, uma benevolência que, sobre-humanamente humana, só muitíssimas vezes pode aparecer desumana, quanto mais não seja no momento em que se põe ao lado de tudo o que fez a gravidade terrestre até aqui, ao lado das solenidades do verbo e do tom, do olhar, da moral, do dever, como paródia incarnada e involuntária dessas pompas; ideal com o qual, portanto, começa talvez a grande seriedade, com o qual pela primeira vez se põe o ponto de interrogação no lugar onde é necessário pô-lo, ideal que coloca a alma numa curva do seu destino, ideal que põe o ponteiro a andar e a iniciar a tragédia...
Nietzsche
O grande mistério
Tudo que entendemos por mistério na vida, nos distancia por não termos consciência suficientemente forte para combater a própria presunção, aprendemos um pouco de alguma coisa e já tomamos por verdade absoluta e indissolúvel, assim deixamos de viver todas possibilidades de amplificação que é contínua e infinita. Na vida não existe mistério algum, tudo simplesmente existe, tudo se relaciona entre si, tudo é conseqüência, tudo vai e volta, não precisa de significação. Nossa demasiada limitação linear de perspectiva das coisas aprisiona alma e desenha fronteiras intransponíveis de meias verdades que só preenchem meias pessoas. Existe muita sabedoria na ignorância, como a submissão ao regalo da praticidade, tirania de qualquer coisa que nos guie, o respaldo da transferência de culpa! Porque a culpa nasce e cresce em qualquer lugar que não seja em nós. Devemos celebrar os encontros, a conspiração do universo, mas só os que estão atentos é que percebem, apenas os que estão preparados compreendem. Apenas os que são responsáveis por sua sorte. Aprender a desaprender para começar a aprender novamente, abrir os olhos da mente para o que não mente. Não existe verdade cientifica, provas técnicas, existe verossimilhança na relação do eu com o mundo, mas é necessário olhos bem treinados para o desconhecido, para aquilo tudo que não se explica, das coisas indizíveis, dos sentimentos intraduzíveis.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Que coincidência é a vida

Todas as coisas adormecidas
despertam nos encontros inequívocos
dos desencontros encontrados.
Que coincidência é a vida!
Que precisão existe no caos do universo!
Quão acurada assimetria se faz a perfeição!
Todo mistério reside entre
a curva do surreal
e a confissão mística do universo
– da lei da atração –
da força bruta;
do embate dos desejos
versus os próprios desejos;
centrifugando alma e carne
intumescidas ao pé da língua,
desfazendo-se em saliva,
eriçando-se,
contorcendo-se,
ebulindo!
E que razão poderia ter
alguma coisa à esta altura?
Quem se encontra
preparado para tais coincidências?
despertam nos encontros inequívocos
dos desencontros encontrados.
Que coincidência é a vida!
Que precisão existe no caos do universo!
Quão acurada assimetria se faz a perfeição!
Todo mistério reside entre
a curva do surreal
e a confissão mística do universo
– da lei da atração –
da força bruta;
do embate dos desejos
versus os próprios desejos;
centrifugando alma e carne
intumescidas ao pé da língua,
desfazendo-se em saliva,
eriçando-se,
contorcendo-se,
ebulindo!
E que razão poderia ter
alguma coisa à esta altura?
Quem se encontra
preparado para tais coincidências?
segunda-feira, 9 de julho de 2007
O som dos passos

Quero me embrenhar na brisa
que escorre ao seu sabor
pelas esquinas e janelas da vida,
nas curvas do movimento
que escorre ao seu sabor
pelas esquinas e janelas da vida,
nas curvas do movimento
inventivo da alma sem fim...
Enquanto não chegar a última saída,
não deixarei de procurar os traços desse labirinto
de verdades translúcidas dos sentidos.
É como sede interminável,
são assaltos de frio,
olhos mirando
alma brilhando...
O cheiro da noite,
o beijo de fruta,
pele na pele,
sabor latente
de cheiro molhado,
a sombra da lua,
tudo que cala,
tudo que inflama;
a sombra da lua,
tudo que cala,
tudo que inflama;
Posso ouvir os passos da corrida ao seu encontro.
Quero a realidade de tudo isso líquida e sem dosador!
Escuto as vozes dos poros se abrindo,
vejo alma estufando peito em meio
ao engarrafamento de todos os sentimentos humanos,
ouço as engrenagens de toda função motora estourarem
e me abraço aos braços que saem dos seus olhares.
Sou a alma toda vazando,
ruindo,
superando espaço,
explodindo volume.
Não sei o que sou mas sei o que sinto,
só não sei se o que digo diz alguma coisa do que realmente sinto.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Podes Crer

O que é meu irmão!
Eu sei o que te agrada
E o que te dói
E o que te dói
É preciso estar tranqüilo
Pra se olhar dentro do espelho
Refletir
O que é?
Seja você quem for
Eu te conheço muito bem
Isso faz bem pra mim
Isso faz bem pra vida
Onde quer que vá
Vou estar também
Eu vou me lembrar
Daquela canção que diz
Parapapapa...
Bendito
Encontro
Na vida
Amigo
É tão forte quanto o vento quando sopra
tronco forte que não quebra,
não entorta
Podes crer,
podes crer
Eu tô
falando de amizade...
(Composição: Toni Garrido- Da Gama- Lazão- Bino Farias)
Eu sei o que te agrada
E o que te dói
E o que te dói
É preciso estar tranqüilo
Pra se olhar dentro do espelho
Refletir
O que é?
Seja você quem for
Eu te conheço muito bem
Isso faz bem pra mim
Isso faz bem pra vida
Onde quer que vá
Vou estar também
Eu vou me lembrar
Daquela canção que diz
Parapapapa...
Bendito
Encontro
Na vida
Amigo
É tão forte quanto o vento quando sopra
tronco forte que não quebra,
não entorta
Podes crer,
podes crer
Eu tô
falando de amizade...
(Composição: Toni Garrido- Da Gama- Lazão- Bino Farias)
quarta-feira, 4 de julho de 2007
É atuando que devemos abandonar
Eu odeio, no fundo, toda moral que diz: “Não faças isto, não faças aquilo; Renuncia. Domina-te...” gosto, pelo contrario, da moral que me leva a fazer uma coisa, a refazê-la, a pensar nela de manhã à noite, a sonhar com ela, e a não ter jamais outra preocupação que não seja faze-la bem, tão bem quanto for capaz, e capaz entre todos os homens. A viver assim despojamos, uma a uma, de todas as preocupações que não tem nada a ver com esta vida: vê-se sem ódio nem repugnância de desaparecer hoje isto, amanha aquilo, folhas amarelas que o menor sopro um pouco vivo solta da arvore; ou mesmo nem sequer se dá por isso, de tal modo que o objetivo absorve o olhar.
Friedrich Nietzsche
Friedrich Nietzsche
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Quintessência
Todas as coisas pertinentes à essência da vida são silenciosas, indescritíveis, indiscutíveis, inexplicáveis, são apenas sentidas e nada mais.
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