O que faço,
eles dizem ser imoral,
O que gosto dizem que faz mal.
A qualquer coisa boa,
uma negação ou a reputação!
O que vai ser?
À tapa ou a cara?
Que digam o que queiram,
Que falem à vontade,
Muito teatro para pouca cachaça.
O tempo passa,
As pessoas não.
falam o que não fazem,
E escondem o que gostam.
Uma bolha,
Onde tudo está onde era para estar,
E assim, tudo bem.
Mais vale uma mentira de verdade
Do que uma verdade de mentira!
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Mudam-se...
Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades,
Muda-se o ser,
muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Camões
mudam-se as vontades,
Muda-se o ser,
muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Camões
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Morena Tropicana
Da manga rosa
Quero gosto e o sumo
Melão maduro, sapoti juá
Jaboticaba teu olhar noturno
Beijo travoso de umbú cajá...
Pele macia
Ai! carne de cajú
Saliva doce
Doce mel
Mel de uruçú...
Linda morena
Fruta de vez temporana
Caldo de cana caiana
Vou te desfrutar.
Linda morena
Fruta de vez temporana
Caldo de cana caiana
Vem me desfrutar...
Morena Tropicana
Eu quero teu sabor!
Alceu Valença
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Viver
Houve um tempo onde tudo aconteceu e era completo para seu momento.
Tempo em que se avançava sem percepção,
tudo passava sem parecer ter passado.
Imenso e curto,
uma verdadeira contradição,
um desafio a bússola da lógica.
A luz,
as passadas rápidas,
o recostar dos corpos,
um mergulho no espaço tempo
e uma embolia pela pressa da passagem dos eventos.
Oxigênio já não faz mais bem.
O tempo passou e a memória mentalizada morreu.
Só restou os pontos de consciência de pele,
adormecidos como vulcões aguardando despertador tocá-los.
Que foram obliterados por outra consciência,
iludida por seus julgamentos
que fazia sentido ignorando a orgia dos sentidos,
das descargas viscerais,
como se fosse coisa controlável - transferível.
Viver é desprezar as coisas ideais,
é experienciar o natural por mais absurdo que pareça.
O mundo todo acontece
O mundo todo acontece sem a minha existência, mas só posso existir através do mundo. Desdobro-me em sustentar os espaços a serem preenchidos no percurso da vastidão da alma, liberto o espírito mais agressivo que se arrisca em todos os níveis para renovar-se, expandir em sua extensão ilimitada de ser. É penoso saber que o mundo independe de mim, que suas cores vivem sem a aparência que tenho de saber o que não se sabe, do proibido incoerente, da verdade íntima, do centro do eu, da mais divina incompreensão de ser, do colapso com tudo que é superficial. O mundo ocorre sem consciência, num paradoxo de portas tão estreitas e sublimes que sugere o que os enganados conhecem por passagem ao paraíso. O alinhamento da percepção dos sentidos é a única conexão com as alturas. Se julgar ser mais importante que o mundo, jamais chegará até as portas do encantamento de si. Nunca saberá da grande verdade sobre a relação com a vida. Por julgar saber a verdade, não lutará por ela impedindo a expansão contra as paredes de sua pequenez, a pseudo verdade burocrática, exprimível pela tangibilidade da continuidade, a prisão de orientação, a linearidade. Somente os sentidos nos guiam pela grande verdade, que é desconexa, descontínua, impraticável as mentes afogadas em razoabilidade.
domingo, 19 de agosto de 2007
Perdoando a Deus
>-eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa.
Criar
Vou criar o que me aconteceu. Só porque viver não é relatável. Viver não é vivível. Terei que criar sobre a vida. E sem mentir. Criar sim, mentir não. Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade.
c.L
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Sobre a convicção
Uma convicção é a crença de estar, num ponto qualquer do conhecimento de posse da verdade absoluta.
Essa crença supõe, portanto, que há verdades absolutas; ao mesmo tempo que foram encontrados os métodos perfeitos para chegar a isso; finalmente, que todo o homem que tem convicções aplica esses métodos perfeitos.
Essas três condições mostram logo a seguir que o homem das convicções não é um homem do pensamento científico; ele está diante de nós na idade da inocência teórica, é uma criança, qualquer que seja o seu porte.
Mas séculos inteiros viveram nessas idéias pueris que jorraram as mais poderosas fontes de energia da humanidade. Esses homens inumeráveis que se sacrificavam por suas convicções acreditavam fazê-lo pela verdade absoluta.
(...)
Não foi a luta de opiniões que tornou a história tão violenta, mas a luta da fé nas opiniões, isto é, nas convicções.
Se no entanto, todos aqueles que faziam de sua convicção uma idéia tão grande, que lhe ofereceriam sacrifícios de toda a espécie e não poupavam a metade de sua força para procurar por qual direito se ligavam a essa convicção antes que a essa outra, por cujo caminho tinham chegado que aspecto pacífico teria tomado a história da humanidade!
Como teria sido muito maior o número de conhecimentos! Todas essas cenas cruéis que a perseguição dos herdeiros em todos os tipos oferece nos teriam sido poupadas por duas razões: em primeiro lugar, porque os inquisidores teriam dirigido antes de tudo sua inquisição para eles mesmos e com ela teriam terminado com a pretensão de defender a verdade absoluta; em segundo lugar, porque os próprios partidários de princípios tão mal fundados como são os princípios de todos os sectários e todos os “crentes no direito”, teriam cessado de compartilhá-los depois de tê-los estudado".
"As convicções são inimigas da verdade mais perigosas que a mentira".
Essa crença supõe, portanto, que há verdades absolutas; ao mesmo tempo que foram encontrados os métodos perfeitos para chegar a isso; finalmente, que todo o homem que tem convicções aplica esses métodos perfeitos.
Essas três condições mostram logo a seguir que o homem das convicções não é um homem do pensamento científico; ele está diante de nós na idade da inocência teórica, é uma criança, qualquer que seja o seu porte.
Mas séculos inteiros viveram nessas idéias pueris que jorraram as mais poderosas fontes de energia da humanidade. Esses homens inumeráveis que se sacrificavam por suas convicções acreditavam fazê-lo pela verdade absoluta.
(...)
Não foi a luta de opiniões que tornou a história tão violenta, mas a luta da fé nas opiniões, isto é, nas convicções.
Se no entanto, todos aqueles que faziam de sua convicção uma idéia tão grande, que lhe ofereceriam sacrifícios de toda a espécie e não poupavam a metade de sua força para procurar por qual direito se ligavam a essa convicção antes que a essa outra, por cujo caminho tinham chegado que aspecto pacífico teria tomado a história da humanidade!
Como teria sido muito maior o número de conhecimentos! Todas essas cenas cruéis que a perseguição dos herdeiros em todos os tipos oferece nos teriam sido poupadas por duas razões: em primeiro lugar, porque os inquisidores teriam dirigido antes de tudo sua inquisição para eles mesmos e com ela teriam terminado com a pretensão de defender a verdade absoluta; em segundo lugar, porque os próprios partidários de princípios tão mal fundados como são os princípios de todos os sectários e todos os “crentes no direito”, teriam cessado de compartilhá-los depois de tê-los estudado".
"As convicções são inimigas da verdade mais perigosas que a mentira".
f.N
A Paixão segundo G.H
A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe. Aquilo que provavelmente pedi e finalmente tive, veio no entanto me deixar carente como uma criança que anda sozinha pela terra. Tão carente que só o amor de todo o universo por mim poderia me consolar e me cumular, só um tal amor que a própria célula-ovo das coisas vibrasse com o que estou chamando de um amor. Daquilo que na verdade apenas chamo mas sem saber-lhe o nome.
Lispector
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
A Paixão segundo G.H
---estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar de desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior. A isso prefiro chamar de desorganização pois não quero me confirmar no que vivi - na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro.
Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida porque não saberei onde engastar meu novo modo de ser - se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele.
C. Lispector
Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida porque não saberei onde engastar meu novo modo de ser - se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele.
C. Lispector
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