segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O mundo todo acontece

O mundo todo acontece sem a minha existência, mas só posso existir através do mundo. Desdobro-me em sustentar os espaços a serem preenchidos no percurso da vastidão da alma, liberto o espírito mais agressivo que se arrisca em todos os níveis para renovar-se, expandir em sua extensão ilimitada de ser. É penoso saber que o mundo independe de mim, que suas cores vivem sem a aparência que tenho de saber o que não se sabe, do proibido incoerente, da verdade íntima, do centro do eu, da mais divina incompreensão de ser, do colapso com tudo que é superficial. O mundo ocorre sem consciência, num paradoxo de portas tão estreitas e sublimes que sugere o que os enganados conhecem por passagem ao paraíso. O alinhamento da percepção dos sentidos é a única conexão com as alturas. Se julgar ser mais importante que o mundo, jamais chegará até as portas do encantamento de si. Nunca saberá da grande verdade sobre a relação com a vida. Por julgar saber a verdade, não lutará por ela impedindo a expansão contra as paredes de sua pequenez, a pseudo verdade burocrática, exprimível pela tangibilidade da continuidade, a prisão de orientação, a linearidade. Somente os sentidos nos guiam pela grande verdade, que é desconexa, descontínua, impraticável as mentes afogadas em razoabilidade.

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