segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Viver

Houve um tempo onde tudo aconteceu e era completo para seu momento.
Tempo em que se avançava sem percepção,
tudo passava sem parecer ter passado.
Imenso e curto,
uma verdadeira contradição,
um desafio a bússola da lógica.
A luz,
as passadas rápidas,
o recostar dos corpos,
um mergulho no espaço tempo
e uma embolia pela pressa da passagem dos eventos.
Oxigênio já não faz mais bem.
O tempo passou e a memória mentalizada morreu.
Só restou os pontos de consciência de pele,
adormecidos como vulcões aguardando despertador tocá-los.
Que foram obliterados por outra consciência,
iludida por seus julgamentos
que fazia sentido ignorando a orgia dos sentidos,
das descargas viscerais,
como se fosse coisa controlável - transferível.
Viver é desprezar as coisas ideais,
é experienciar o natural por mais absurdo que pareça.

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