quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O necessário aprendizado com os artistas


Dispomos de quais meios para tornar as coisas belas, atraentes e desejáveis para nós, quando não o são?...Parece-me que, na verdade, nunca o são em si. Temos, então, receitas a aprender com o médico, que adoça, por exemplo, os amargos ou que acrescenta açúcar e vinho às suas misturas; e temos, ainda mais a aprender com o artista, que no fundo não cessa aplicar neste gênero de invenções e artifícios. Afastar-se dos objetos até fazer desaparecer um bom numero dos seus pormenores e obrigar o olhar a acrescentar-lhe outros para que possa ainda vê-los; escondê-los com um ângulo de maneira a descobrir apenas parte; dispô-los de tal modo que se entremascarem em parte e só permitam que o olhar mergulhe na sua perspectiva; olhá-los com vidros de cor ou a luz do sol poente; dar-lhes superfície, uma pele, que não seja totalmente transparente; tudo isso nos é necessário aprender com os artistas e, quanto ao resto, ser mais sábios do que eles; uma vez que a força sutil se detém geralmente no ponto onde acaba a arte e começa a vida. Porém, nós queremos ser os poetas e autores da nossa vida; e, a princípio, nas mais pequenas coisas e nas íntimas banalidades do cotidiano!



Frederico, o incompreendido

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