terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Entendia eu



Entendia eu que aquilo que eu experimentara, aquele núcleo de rapacidade infernal, era o que se chama de amor? Mas – amor neutro?
Amor neutro. O neutro soprava. Eu estava atingindo o que havia procurado a vida toda: aquilo que é a identidade mais última e que eu havia chamado de inexpressivo. Fora isso o que sempre estivera nos meus olhos no retrato: uma alegria inexpressiva, um prazer que não sabe o que é prazer – um prazer delicado demais para a minha grossa humanidade que sempre fora feita de conceitos grossos.


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