segunda-feira, 18 de junho de 2007

Minguante


Numa tempestade de insights dou luz a uma criança que jamais fora concebida, a terra treme procurando se acomodar, tufões arrastam com fúria o excesso, a natureza se apodera desse ser.
Este que luta e reluta contra si mesmo, contra as estreitezas da alma que vagueia na escuridão de suas dúvidas, que chora a impossibilidade de sua cura, que se embebeda de luz sem ascender.
Procura, não encontra, corre e se cansa, aos berros mira atenção, mas o eco do descaso é cruel. Absorto em dor, sente o próprio corpo minguar, como lua no seu quarto equivalente em tormenta, ferro e fogo.
Questiono se sobrevive, se é medíocre, se dor é real, se o mal está ou veio a ele, se é pura fraqueza ou desvio de atenção intensificado num momento de vulnerabilidade.
Quantas faces roçaram, quantos lábios bebeu, quantos perfumes tragou, quanto calor sentiu. Porque somente este lhe falta, lhe foge, lhe mata!
Procurou tesouros maiores, lugares mais calmos e a comparou com todos os paraísos que aportou, ainda assim como louco se desfaz em pedaços ...Sempre teve medo do mar, é traiçoeiro. Finge-se de calmo, mas te engole, é lindo mas aniquila, e se não mata te joga contra as pedras, frias e duras amigas incrustadas de cracas e ouriços que só estão ali porque existem e não tem o direito de ser o mar, por isso quer deformar... Mas se fosse pescador, o temeria tanto? Se soubesse ler suas ondas e correntezas, seria preciso? Pessoa imortalizou: Navegar é preciso, viver não é preciso. Transforme necessidade em precisão e precisamente chegue à conclusão.

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