quarta-feira, 30 de maio de 2007

Devaneios

...Parece que desce, mas sobe a ladeira como quem tem muita pressa de chegar ao seu destino. Passeando pelos sentidos, nos sentimos vivos e deixamos de apenas existir. Do sentimento maior nascem todas as outras coisas, todos os outros vivos que se tem conhecimento. Quem só enxerga o que os olhos alcançam, não dança na chuva, não se torna música, não viaja, e justamente por isso, não sente falta. Somos pássaro novo aprendendo a voar, isso explica a falta de prática nas aterrissagens, sobretudo, porque tanto queremos voar... Sabemos que, do alto, enxergamos tudo o que os outros não vêem, contudo, temos problemas para enxergamos de perto. Que ironia! Confusão para uma necessidade demasiadamente humana de buscar uma finalidade para as coisas. O amor não tem finalidade, nem o câncer do idealismo, procura nas coisas apenas o sentir e basta-se ao viver assim. Se eles nos chamam de loucos, os chamo de seres sem vida, se procuram razão para existir é por serem retilíneos demais. Sem terem orientação melhor, não por falta de opção, mas por ausência de uma consciência adequada para focalizar sua miopia, são seres fadados a unicamente existir, sem sentir o pulsar da vida. Eu que existo, e aprendi a sentir, por conseqüência, pulsar. Abro os braços e saio do chão, como um balão inflado e cheio de si, sobrevoando os campos num percurso sem fim, guiado pelos instintos seguindo um caminho feito de flores e espinhos também. Não basta o saber/conhecer por imaginação, pois uma coisa é saber, outra é experimentar. “ O sabor da fruta não está na fruta, e sim no contato do paladar com a fruta”(C.L.)
É sabido que não basta se desprender da razão e mergulhar em intuição, uma boa receita não depende do excesso, mas da harmonia da mistura de seus ingredientes. Um prato não pode ser considerado bom, apenas pelo sabor, mas textura, consistência, nuances entre as combinações de sal e açúcar, doce e azedo, temperatura e pela sua beleza...

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