quarta-feira, 30 de maio de 2007

Uma lembrança de beira de rio em conversa com meus botões



Olho pra você e sorrio,
não sei se me compreende ou mesmo se te compreendo,
mas é coisa consabida.


Sei que a porção que compreendo agrada:

irresistivelmente doce,

sensivelmente feminina,

perfeitamente mulher,

ainda que - menina.




O resto é mistério a ser saboreado.
Uma lembrança de beira de rio em noite de verão,

murmurando ao mar histórias de um livro aberto.

Acorrentada a pequenas obsessões humanas,

perdida em pensamentos cegos dos sinais de saída,

dores a escorrer pelos olhos ganhando vida em ouvidos dispostos a ecoar algum conforto.

Que de vez em quando sorria,

como se estivesse a suavizar a seriedade dos sentimentos.

Menina mulher que sente e deseja, que se indigna e luta contra corrente,

que se desmancha em amor, que nele se perde,

se encontra e torna a se perder completamente.

Amor, oh L’amour!

Quanta coisa cruza a cabeça

nos fundamentos mais íntimos e plenos desta expressão!


E quanta coisa não se faria por amor?
Um prato cheio para corações inflamados,

que salta ao peito bombeando desejo dentro de desejos,

ideais latentes e febris, quem sabe se realizáveis,

que desesperadamente procuram calor,

que se exaltam em flores e sabores transbordando todos limites do ser...


E para você Que é linda: em traços e gestos,

que sofre demasiadamente a conseqüência de seus véus altruístas,

que se afoga em dor por ter “L’Amour” a flor da pele,

uma criança será concebida em forma de noite -



pra te confortar em estrelas,

que de cima hão de se atirar em série,

desesperadas,

riscando o escuro do céu,

só pra te ver sorrir...


Felizes os que experimentaram desse tempero,

a todos os outros só resta vontade.

E assim me sento

e observo o entardecer da janela de meu quarto,

um pôr do sol de cores acentuadas, típico dos dias de frio.

Levanto-me e aproximo da janela,

quanto mais aprecio suas luzes,

mais se esvai no horizonte distante,

como todas as coisas boas que escorrem pelas mãos.

O universo se reconstrói e as cortinas da noite caem sobre a cidade.

Com absoluta nitidez, recobro meus pensamentos,

percebo as coisas como são,

neste exato momento uma estrela corta o céu em busca do seu sorriso...

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